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As propagandas criadas por IA estão dominando o mercado — e as pessoas estão começando a odiá-las

  • Foto do escritor: Matheus Gomes
    Matheus Gomes
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

Uma nova onda tecnológica invadiu silenciosamente os bastidores da publicidade: a criação de anúncios por inteligência artificial. Ferramentas generativas prometem rapidez, economia e automação total de campanhas. Mas conforme a tecnologia se espalha, um fenômeno curioso começa a se formar entre consumidores e especialistas: uma resistência visceral e crescente a anúncios que parecem “máquina demais” — e nem sempre por causa da qualidade. 


O boom da IA na publicidade

A adoção de inteligência artificial na criação de conteúdo publicitário explodiu rapidamente. Em 2025, mais da metade dos profissionais de marketing já utilizavam IA para criar anúncios, e 90% planejavam incorporar ferramentas de geração de vídeo, muitas com custo e tempo de produção drasticamente reduzidos.


Grandes marcas globais, desde Coca-Cola até McDonald’s, testaram campanhas inteiramente geradas por IA, aproveitando a tecnologia para produzir desde versões alternativas de comerciais clássicos até vídeos promocionais curtos para plataformas sociais.

E há também movimentos significativos de investimento. A Mondelez, fabricante da Oreo, por exemplo, comprometeu cerca de US$ 40 milhões em ferramentas de vídeo por IA, alegando cortes de até 50% no custo de produção de publicidade.

Quando eficiência colide com autenticidade

Apesar da adoção massiva, consumidores e especialistas começaram a reagir de forma crítica à estética e ao impacto emocional dos anúncios gerados por IA. Pesquisas revelam que:

  • 60% dos consumidores afirmam que confiam menos em uma marca se descobrem que um anúncio foi criado por IA sem aviso;

  • 73% dizem que anúncios com IA deveriam ser claramente identificados;

  • 81% manifestam preocupação com o uso de IA para espalhar desinformação, especialmente devido ao poder de personalização e automação dessa tecnologia.


Alguns desses sentimentos estão pautados em uma percepção clara de falta de conexão emocional: cerca de 43% dos consumidores acreditam que anúncios gerados por IA carecem da empatia e significado que campanhas humanas podem oferecer.

E isso não é apenas teoria: em estudos de resposta neurológica ao conteúdo, anúncios gerados por IA tendem a ativar menos eficientemente as estruturas de memória do que aqueles criados por humanos, implicando que eles são menos memoráveis e menos motivadores para o consumo.


O dilema ético e cultural

Mais do que estética, há questões sociais e éticas em jogo. Artistas, criadores e intelectuais têm se posicionado contra o uso indiscriminado de IA em áreas onde a criatividade humana é central — acusando grandes empresas de explorar algoritmos sem compensar criadores originais cujas obras alimentaram modelos de aprendizado. Recentemente, mais de 700 artistas famosos assinaram um manifesto alertando que “Roubar nosso trabalho não é inovar”, destacando a necessidade de regulamentação, licenças e respeito ao trabalho humano no desenvolvimento de IA.


Além disso, as preocupações sobre transparência, viés e uso de dados em anúncios automatizados refletem um debate mais amplo sobre como tecnologia e sociedade devem coexistir no futuro.

O futuro da propaganda

A tecnologia para gerar anúncios automaticamente já está aqui — poderosa, barata e capaz de produzir conteúdo em escala. Mas sua adoção desenfreada mostrou um efeito colateral humano: as pessoas começam a rejeitar aquilo que não sentem como humano, real ou honesto.


Se a publicidade do futuro for dominada por IA, ela terá de aprender algo essencial: não basta ser eficiente — é preciso ser significativo. E isso, até agora, continua sendo algo que só a colaboração entre tecnologia e criatividade humana consegue entregar de verdade.


 
 
 

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